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Você não é o que pensa: o impacto do autoconhecimento nos negócios

Atualizado: 20 de Jul de 2018



Você alguma vez na vida se fez aquelas “perguntinhas” clássicas da filosofia:


• “Quem sou eu”?

• “De onde eu vim”?

• “O que vim fazer aqui”?

• “Para onde vou”?


E, se fez, vem buscando honestamente pelas respostas?


Qual a relação do autoconhecimento com os negócios?


São muitas perguntas, eu sei, mas saiba que são as perguntas que nos movem. São elas que nos tiram da zona de conforto e nos impulsionam em direção ao crescimento.


As respostas a estas perguntas fundamentais podem transformar radicalmente todos os setores da vida, pois impactam diretamente as decisões que tomamos.


O autoconhecimento é o maior investimento que se pode fazer.

O restante - dinheiro, sucesso, relacionamento, saúde- vem como consequência.


Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é - Caetano Veloso

Podemos passar a vida inteira fugindo do auto enfrentamento e empurrando o assunto com a barriga, como se diz. Contudo, mais cedo ou mais tarde, essas questões virão à tona.


Como um tubarão branco que fareja uma gota de sangue a quilômetros de distância, elas virão das profundezas atrás de nós. Não dá para escapar, a luta é desigual. Quanto mais se debater, pior as coisas ficam.


Se você realmente acredita que pode empreender e tocar um negócio de sucesso sem investigar a fundo sobre si mesmo, está cometendo um engano fatal.


Exagero? De forma alguma.


Vou mostrar o porquê.


Descascando a cebola



Vamos deixar algo bem claro: investir em autoconhecimento é algo para os fortes. A cebola tem muitas camadas e é impossível não verter algumas lágrimas no caminho.


Porém, descobrir a si mesmo é algo que vale muito a pena. A recompensa é diretamente proporcional ao investimento. Afinal, um bom empreendedor corre riscos calculados, porque sabe que o retorno superará em muito os ganhos com aplicações conservadoras.


Se é tão gratificante assim, por que todos não vão fundo em si mesmos?


A primeira barreira no caminho do autoconhecimento é o preconceito. Muita gente boa ainda acredita que autoconhecimento é coisa de esotérico e que não se deve misturar o assunto com negócios.


Todavia, algumas das maiores empresas do mundo já oferecem aos seus funcionários ferramentas de autoconhecimento, como por exemplo, a meditação de Atenção Plena (Mindfullness).


Ainda oferecem com a visão estreita de que a meditação aumenta o foco, a produtividade e os lucros da empresa, mas já é um bom começo.


Certamente não perceberam que a meditação é muito mais do que uma ferramenta de produtividade, que ela tem o poder de causar uma revolução interior.


Quantas corporações querem realmente lidar com o empoderamento dos seus colaboradores? Que sejam livres e lúcidos?


“A única revolução possível é dentro de nós” – Mahatma Gandhi

Por outro lado, muitos empreendedores têm problemas pessoais. Questões íntimas que acabam repercutindo nos negócios; contudo, não buscam ajuda. Descartam a psicoterapia, pois, afinal, não são “ loucas”.


Acreditam piamente que os problemas estão fora e não na maneira como enxergam e atuam no mundo. Creem que a forma como lidam com as situações é a única correta, pois aprenderam que é assim. Não percebem que estão sendo prejudicadas por crenças limitantes, que necessitam urgentemente de revisão.


A maioria das pessoas pensa que a vida é uma luta a ser enfrentada diariamente, que problemas e sofrimento é o normal da vida. Concordo, é o normal, não o natural.

Natural é ser feliz, bem resolvido consigo mesmo e fazer dos negócios uma extensão dessa felicidade.


Mas, para ter crescimento, felicidade e autorrealização é essencial que se comece olhando para dentro.


Quem você NÃO É?


Todo processo de autoconhecimento deve conduzir a pessoa a duas estações diferentes e que ao final precisam ser integradas em um todo coeso.


A primeira diz respeito ao ego.


Ego é um processo psíquico com o qual você se identifica de forma tão profunda e inquestionável, que passa a acreditar que ele é você, que você se resume a ele.


O ego é composto por tudo aquilo com o qual você se identifica: nome, imagem corporal, filiação, profissão, classe social, preferências, habilidades, crenças e experiências adquiridas durante a vida.


Nos primeiros anos da vida de uma criança o ego é criado e reforçado.

Toda a atividade mental ( pensamentos e emoções) e comportamento de uma pessoa normalmente espelham o seu ego. Sua visão de mundo, ações, reações e decisões passam pelo filtro do ego.


E é esse mesmo ego o responsável pelos problemas individuais e coletivos, pois tem uma visão separatista, baseada no medo, disputa e na sobrevivência.


A maioria dos negócios que se faz hoje no mundo, tem como representantes dois egos. Um de cada lado da mesa. Cada um tentando levar vantagem na negociação.


Seu verdadeiro EU


O ego representa uma parte de você que é efêmera, transitória.

Aquilo que as tradições de sabedoria orientais chamam de Maya, Ilusão.

Por isso, o chamamos de falso eu.


Em contrapartida, existe uma parte de seu ser que é eterna, sábia, silenciosa e pacífica.

É a sua Essência, quem verdadeiramente é. Seu Eu verdadeiro.


Por estar conectada mais fortemente ao Todo, ao infinito Campo de Consciência ( leia o artigo sobre Consciência, clicando aqui) que é fonte de toda informação que existe, sua Essência tem uma visão mais ampla sobre tudo.


Ao se reconectar com sua Essência, seu propósito maior de vida ( leia o artigo sobre propósito clicando aqui) é revelado e tudo passa a ficar mais claro e fluido.


Sua Essência é criativa, inclusiva e cooperativa, uma vez que se baseia não no medo, mas no amor que nasce da consciência da Totalidade, que somos todos uma só consciência.


Sendo assim, as melhores decisões são tomadas quando elas se originam na Essência. Da mesma forma, os melhores negócios e oportunidades, as melhores parcerias, as melhores idéias de produtos, serviços e estratégias surgem quando deixamos que a Essência assuma as rédeas.


Que estranho.... Pensava que era uma pessoa , agora tenho duas “entidades” brigando pela minha atenção?


Integre as duas partes do Ser e voilá!


O mais importante na jornada do autoconhecimento é integrar as duas partes do ser : ego e Essência, sendo que a primeira deve servir à segunda. Pura questão de hierarquia.

O que acontece normalmente com a humanidade é o contrário: o ego predomina.

Quando passamos pela Individuação ( integração) , como chamou Carl G. Jung, nos tornamos autênticos, plenos. Nos tornamos quem podemos ser.


Passamos a exercer todo o potencial que nos é reservado.


Isso, por si só, nos permite uma expansão muito significativa em todas as áreas da vida, e não seria diferente nos negócios.


Abre-se, então, um novo leque de oportunidades, parcerias e realizações,pois esta é a linguagem e o caminho do Todo: a evolução e a fluidez.


E como conseguir essa integração?


Conhece-te a ti mesmo


Essa era a sugestão, quando se entrava no templo de Delfos.


Sócrates foi morto por incentivar o autoconhecimento.


Mas hoje, as coisas estão ( um pouco) melhores.


O autoconhecimento é uma meta para ontem.


Algo que não pode mais ser negligenciado.


É a diferença entre viver e sobreviver.


Quanto mais rápido você se conhecer, mais alegria e resultados positivos terá.

Menos sofrimento causará para si e para os demais.


Conte com as catarses, com as limpezas do terreno. Elas virão mais cedo ou mais tarde.


Para construir algo novo, devemos derrubar o velho, quando esse não tem mais função.


Fique firme.Você tem todo o equipamento e sabedoria para vencer as adversidades.


O processo dura a vida inteira, mas não precisamos nos intimidar, nem nos acomodar com isso.


Comece pela auto-observação. Sem críticas, sem julgamentos, sem condenações.


Medite diariamente.


Apenas observe seus pensamentos, emoções, palavras e ações.


Perceba quem está no comando de suas decisões e ações.


E , então, faça e seja diferente na próxima vez.


E mais uma vez, e outra.


Até se tornar sua maneira habitual de ser.


|Peça ajuda, se não conseguir sozinho...


Faça psicoterapia.


Ouça sua voz interior. Ela lhe guiará até ao melhor terapeuta.


Estude sobre o tema.


Cultive o interesse por si próprio.


Como observador, você cria a própria realidade.

Tudo começa e termina em você.


E, principalmente, aceite-se. Da maneira como é.

Você é agora o que pode ser, com os recurso que tinha.


Só se pode mudar e aprimorar aquilo que é aceito e acolhido.

Pois tudo aquilo que se nega, persiste.


O que não é transformado se repete, insistentemente, até que se decida pelo novo.


Isto é tudo?


Não, é só o começo.Como somos consciência, esse processo não se finda.


O autoconhecimento é individual e intransferível.Não acredite em mim, investigue e chegue a um caminho de menor resistência.


Deixei aqui umas dicas do que funcionou para mim e para muitos dos meus clientes, amigos e mentores.


Comece agora e veja o impacto que isso trará aos seus negócios.


Bon voyage!


Mabel Cristina Dias

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